quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Seu segredo


    Você poderia ter sido o melhor. Melhor apesar dos seus claros defeitos. Mas o destino me fez guardiã do teu segredo. O segredo mais podre que um dia ousei carregar. Os dias passam mais vagarosamente depois do que descobri. E o meu cérebro se tornou um fugitivo daquelas lembranças. A parte mais angustiante é estar sempre entre o certo e o melhor. Entre o expor e o não expor. Entre a felicidade mentirosa e a verdade dolorosa. Que os deuses tenham piedade da minha consciência e me façam esquecer tudo àquilo que descobri sem querer. Tudo aquilo que eu nunca quis saber.

sábado, 23 de abril de 2011

Defeitalidades

Tem defeito que é qualidade.
Tem qualidade que é defeito.
Ser perfeito é um defeito.
Imperfeição é qualidade.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Olhar de mãe


Com orgulho nos olhos você me olhou
Me olhou com certeza de amar
Me olhou e disse sem dizer o quão feliz estava
Me olhou e me fez envergonhar

Com orgulho nos olhos você me olhou
Me abraçou e pôs em dia todos os abraços perdidos
Me agradeceu e fez valer todo e qualquer esforço
Chorou, e impossível seria não acompanhar suas lágrimas

Com orgulho nos olhos você me olhou
E me mostrou a importância de um olhar
Me mostrou que falar não é preciso
É preciso estar lá.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Eu e a estrada



    Estou aqui. Apenas eu e a estrada. O lugar onde eu escolho o meu destino. O carro irá me obedecer independente da direção que eu tomar. Ele está comigo. Ele irá comigo aonde eu pedir, ordenar.
Apenas eu e a estrada. Ela não quer saber minha religião, nem se importa se eu tenho um nome, ela apenas quer que eu esteja lá. Com ela. Seguindo. Viajando.
Ali eu tenho tudo. Uma mente sonhadora e um destino a traçar. Não preciso de um mapa, a intuição vai me dizer quando eu chegar. “Chegar aonde?” Sussurra o vento. “Aonde a estrada me levar.”

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Carta de um suicída

Jogaria minha vida fora sem pensar duas vezes. Mudaria de cidade, mesmo sem saber onde ir. Largaria os estudos, mesmo sabendo que meu futuro depende disso. Basta uma oportunidade.
Seria mais velha, se eu pudesse escolher. Seria mais nova pra viver mais, muito mais do que eu vivi. Mudaria muita coisa. Basta uma oportunidade.
Mataria por alguns. Morreria por poucos. Morreria de tédio, de desgosto, de insatisfação. Por tantos motivos, e às vezes por tão poucos, eu morreria. Basta uma oportunidade.

Só isso

Quero inspirar algo em você. Quero te acrescentar algo. Quero que você aprenda comigo. Quero aprender com você. Quero te mostrar coisas novas. Quero que você goste do que aprendeu. Quero sua admiração. Quero que se orgulhe de mim. Quero ser sua amiga. Quero que confie em mim. Quero confiar em você. É só o que eu quero.

sábado, 1 de maio de 2010

Gentileza


Estava revendo um dos filmes mais românticos que eu conheço, Kate & Leopold, e percebi um ângulo da história que não tinha reparado antes. O filme é sobre um Duque do século XIX, que vai parar no século XXI, graças a uma ruptura no tempo. De acordo com o diretor, a mensagem que ele tentou passar, foi da mudança de valores da época de Leo, o Duque, para a época atual, onde vive Kate, seu par romântico. O mais intrigante, é o choque e a surpresa de Kate com as gentilezas e o cavalheirismo de Leopold, o que no século XIX era perfeitamente normal. O que venho trazer aqui é: onde está a gentileza hoje em dia?

Assim como Kate, nós mulheres estranharíamos se um homem nos oferecesse uma flor, puxasse nossa cadeira para sentar ou apenas abrisse a porta do carro para que entrássemos. São coisas tão simples e singelas, que não deveriam se perder ou nos surpreender. "Mas ele vem de um tempo onde outras coisas, ideias e modos de se relacionar eram honrados. Eu estava tentando dizer que nós como homens podemos ser mais como Leopold. Não é algo que nasceu com ele, mas algo aprendido, uma ideia de como se relacionar." Disse James Mangold, o diretor de Kate & Leopold. E eu concordo plenamente. Creio que alguns valores não deviam se perder. Não há dúvidas de que uma mulher se encanta muito mais por um homem cavalheiro do que por um grosseirão. O cavalheirismo tem todo um charme natural, um afrodisíaco.

Ambos homens e mulheres deviam presar a gentileza, a compostura, a integridade. Oferecer gestos e palavras gentis é tão fácil. Nossos ancestrais cultuavam esse tipo de comportamento, porque nós não podemos? Na época de Leopold, ser cortez não era apenas uma maneira de flertar, era um hábito. Algo comum, que talvez passasse despercebido. Da mesma forma, o romantismo tem sido colocado como clichê ou piegas. O que não faz nenhum sentido para mim, já que o romance é uma das mil formas que o amor se mostra. Atire a primeira pedra quem nunca ansiou por um primeiro beijo na chuva, ou um pedido de casamento na praia. Me chame de sonhadora, se quiser, mas ainda espero ver um mundo onde as mulheres serão tratadas como damas e os homens, como cavalheiros.