sábado, 1 de maio de 2010

Gentileza


Estava revendo um dos filmes mais românticos que eu conheço, Kate & Leopold, e percebi um ângulo da história que não tinha reparado antes. O filme é sobre um Duque do século XIX, que vai parar no século XXI, graças a uma ruptura no tempo. De acordo com o diretor, a mensagem que ele tentou passar, foi da mudança de valores da época de Leo, o Duque, para a época atual, onde vive Kate, seu par romântico. O mais intrigante, é o choque e a surpresa de Kate com as gentilezas e o cavalheirismo de Leopold, o que no século XIX era perfeitamente normal. O que venho trazer aqui é: onde está a gentileza hoje em dia?

Assim como Kate, nós mulheres estranharíamos se um homem nos oferecesse uma flor, puxasse nossa cadeira para sentar ou apenas abrisse a porta do carro para que entrássemos. São coisas tão simples e singelas, que não deveriam se perder ou nos surpreender. "Mas ele vem de um tempo onde outras coisas, ideias e modos de se relacionar eram honrados. Eu estava tentando dizer que nós como homens podemos ser mais como Leopold. Não é algo que nasceu com ele, mas algo aprendido, uma ideia de como se relacionar." Disse James Mangold, o diretor de Kate & Leopold. E eu concordo plenamente. Creio que alguns valores não deviam se perder. Não há dúvidas de que uma mulher se encanta muito mais por um homem cavalheiro do que por um grosseirão. O cavalheirismo tem todo um charme natural, um afrodisíaco.

Ambos homens e mulheres deviam presar a gentileza, a compostura, a integridade. Oferecer gestos e palavras gentis é tão fácil. Nossos ancestrais cultuavam esse tipo de comportamento, porque nós não podemos? Na época de Leopold, ser cortez não era apenas uma maneira de flertar, era um hábito. Algo comum, que talvez passasse despercebido. Da mesma forma, o romantismo tem sido colocado como clichê ou piegas. O que não faz nenhum sentido para mim, já que o romance é uma das mil formas que o amor se mostra. Atire a primeira pedra quem nunca ansiou por um primeiro beijo na chuva, ou um pedido de casamento na praia. Me chame de sonhadora, se quiser, mas ainda espero ver um mundo onde as mulheres serão tratadas como damas e os homens, como cavalheiros.